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Cineasta Thiago Leoni se destaca nos EUA com filmes sobre dilemas culturais

Por Da Redação
Cineasta Thiago Leoni se destaca nos EUA com filmes sobre dilemas culturais
Cineasta Thiago Leoni dirige filme documental sobre ator catarinense nos EUA (Foto: Divulgação)

Histórias sobre pertencimento e imigração têm ganhado novos contornos em Hollywood, e entre os nomes dessa geração surge o diretor e roteirista carioca Thiago Leoni. Formado em cinema pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), ele transformou sua experiência entre Brasil e Estados Unidos em uma linguagem própria, já reconhecida em festivais internacionais. O contexto não poderia ser mais atual: de acordo com o Itamaraty, cerca de 2,8 milhões de brasileiros vivem hoje nos EUA, a maior comunidade brasileira fora do país.

Sua estreia com o curta Querido Espaço (2020), produzido durante a pandemia, abriu portas em mais de 15 festivais e conquistou prêmios em Roma, Tóquio e Paris. A obra chamou atenção pela forma poética de abordar a transição da juventude para a vida adulta sob a ótica de quem vive entre culturas distintas. “Eu queria que o público, especialmente jovens que se veem pressionados por expectativas e ansiedade, sentissem que não estão sozinhos, que essa angústia é universal”, afirma o diretor.

Desde então, sua filmografia tem se aprofundado no tema da imigração. Em Manziello, retrata a rotina de um brasileiro em Los Angeles diante das contradições da vida americana. Já em Sofia. Take Um., experimenta o limite entre realidade e ficção, acompanhando os sonhos e a identidade de uma jovem brasileira nos EUA.

“Ainda é muito difícil penetrar nas produções de Hollywood. Elas continuam muito autorreferentes e sobram poucos espaços para histórias mais universais. A imigração quase sempre é tratada de forma dramática, sem nuances culturais”, observa Leoni. O diagnóstico encontra respaldo no relatório Latinos in Hollywood: Amplifying Voices, Expanding Horizons, da McKinsey, que mostra a sub-representação persistente dos latinos na indústria: apenas 4% dos papéis principais em filmes norte-americanos são ocupados por atores dessa origem, apesar de representarem cerca de 20% da população do país.

Paralelamente ao cinema autoral, Leoni aplica seu olhar cinematográfico ao Brasil. À frente de campanhas do Brasil Surfe Clube, marca carioca, levou técnicas aprendidas na Califórnia para criar comerciais com apelo narrativo. O curta O Vento Vai Virar, estrelado pelo campeão mundial de surfe Yago Dora, repercutiu na comunidade surfista global. “Em vez de uma luz bonita e cenário paradisíaco, busquei representar no diálogo entre dois surfistas a espera pela onda perfeita”, conta.

Atualmente, o diretor se dedica ao seu primeiro longa documental, que acompanha a trajetória do ator brasileiro Ivo Müller nos Estados Unidos. A produção discute barreiras linguísticas e culturais enfrentadas por artistas imigrantes. “Ivo Müller é um exemplo de resiliência artística. Em vez de seguir buscando um papel que se encaixasse no seu perfil, ele resolveu criar seu próprio personagem”, explica Leoni sobre o filme, previsto para estrear em 2026.

Além do documentário, Leoni desenvolve o curta Teto, uma peça intimista que coloca em cena um brasileiro de 25 anos e uma americana de 45 confinados em um quarto durante uma tempestade. O filme aborda as diferenças de idioma, culturais e geracionais em um relacionamento, revelando as barreiras invisíveis que se impõem entre os personagens. “O título reflete esses limites — o teto dela, o teto dele, os limites de até onde a relação pode ir”, explica o diretor.

Morando em Los Angeles desde 2018, Thiago Leoni simboliza uma nova geração de cineastas brasileiros que encontram no exterior tanto desafios quanto oportunidades. “Aqui tenho a chance de beber na fonte das grandes produções, trazendo uma narrativa estrangeira que o cinema americano ainda não desvendou. Quem ganha com esse intercâmbio é a audiência, que recebe histórias muito mais ricas”, resume.

 











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