Zé Ramalho celebra 50 anos de carreira, neste sábado, na Vibra São Paulo
Zé Ramalho celebra 50 anos de carreira, neste sábado, na Vibra São Paulo (Foto: Leo Aversa)

Zé Ramalho, um dos grandes representantes da música brasileira, encerra 2025 em grande estilo com grande show em São Paulo. O artista se apresenta, neste sábado (20/12), às 22h, no palco da Vibra São Paulo, para celebrar cindo décadas de sucessos.

Durante a apresentação, o público poderá reviver entre letras que se tornaram símbolos da identidade e da poesia brasileira, como “Chão de Giz”, “Avôhai”, “Vila do Sossego” e “Admirável Gado Novo”. A performance do “Show de Sucessos” inclui ainda músicas emblemáticas como “A Terceira Lâmina”, “Táxi Lunar”, “Entre a Serpente e a Estrela” e “Banquete de Signos”. O repertório também celebra as raízes nordestinas de Zé Ramalho, com interpretações vibrantes de “Frevo Mulher”, “Beira Mar” e “A Vida do Viajante”.

Com uma seleção de clássicos que atravessam gerações, o artista apresenta uma noite inesquecível com ingressos já disponíveis, pela Uhuu.com e pontos autorizados. Mais informações no serviço abaixo.
Sobre Zé Ramalho
Zé Ramalho chega aos 76 anos de vida com uma posição única na música popular brasileira. É um momento de comemoração, e também de consolidação da sua presença sempre inquieta, criativa, antenada.
Antes mesmo de seu lançamento como artista profissional com seu histórico primeiro álbum Zé Ramalho (a que os fãs ainda hoje se referem como “o disco do Avôhai”), Zé Ramalho já acumulava realizações poéticas e musicais, tendo participado de bandas de rock em João Pessoa e publicado literatura de cordel (Apocalypse Agalopado, 1975).
O imenso sucesso do disco de estréia ajudou a definir as linhas principais de sua imaginação criadora: o rock, a música regional, a poesia popular do Sertão nordestino, o misticismo, a crítica social, o realismo fantástico e o psicodelismo. Elementos que ao longo destes 76 anos de vida ele se dedicou a cultivar e a fundir à sua maneira única e pessoal.
O impacto de seus primeiros álbuns surpreendeu a crítica musical e arrebatou o público. Os anos 1970 foram a época de uma grande “chegada” de artistas nordestinos nos palcos do Rio e São Paulo. Dentro dessa constelação de brilhos, a poética de Zé Ramalho reluzia com luz própria e uma estranheza que chamava a atenção. Neste início, já estava bem nítida a presença impositiva no palco, a voz ora irônica, ora cavernosa, a batida segura na cadência roqueira, o balanço agitado do forró.
A força mais sedutora estava nas letras, cuja poética rica e inesperada ajudou a fazer da obra de Zé Ramalho uma referência obrigatória na história do psicodelismo e da contracultura na MPB. O universo poético de Zé Ramalho bebe tanto no folk-rock como nos violeiros do Vale do Pajeú, e desperta um conjunto diferente de associações, de memórias ancestrais, de lampejos futuristas misturados a intuições tão antigas quanto as pedras sertanejas.
E não somente o compositor. O intérprete Zé Ramalho, entre 1991 e 2022, lançou uma série de álbuns-homenagem onde ele absorve e recria a obra de artistas que o marcaram quando jovem: Brasil Nordeste, Nação Nordestina, Zé Ramalho canta Raul Seixas, Zé Ramalho canta Bob Dylan – Tá Tudo Mudando, Zé Ramalho canta Luiz Gonzaga, Zé Ramalho canta Jackson do Pandeiro, Zé Ramalho canta Beatles.
São décadas de uma criação musical em que compositor e intérprete se completam, pois todo intérprete musical traz para perto de si o que de algum modo se harmoniza com seu espírito, sua voz, sua intenção de canto. O próprio Zé Ramalho é conhecido por dizer às vezes, sobre uma música alheia que pretende gravar: “Calma, ainda estou ramalheando a música pra deixar no ponto”. O “ponto” é a sua combinação única de discurso poético, presença de palco, voz inconfundível, repertório raro de influências bem assimiladas.