MC Luanna lança "Maldita", retratando desamores das jovens de periferia
MC Luanna lança "Maldita", retratando desamores das jovens de periferia

Nome em ascensão na cena cultural paulista, MC Luanna (27) narra sua história enquanto mulher preta e favelada com seus versos repletos de sentimentos. Contrariando o clima romântico do mês de junho, a artista lança “Maldita”, seu primeiro EP, que aborda relacionamentos e experiências afetivas da vida real e mostra que o cotidiano na periferia paulista é bem diferente das comédias românticas.

Com quatro músicas inéditas, o projeto que antecede sua primeira mixtape, ambos desenvolvidos em parceria com o produtor musical Mello Santana, traduz suas experiências amorosas e as dos seus ciclos sociais e familiares, nas quais Luanna precisou assumir o controle do próprio coração e colocar seu bem estar em primeiro lugar. Através de sua arte, ela se mantém fiel às suas verdades utilizando seu vocabulário cotidiano, onde traz para suas obra expressões e gírias utilizadas na rua, se aproximando do público pelo dialeto.

“Ser mulher nunca foi fácil. Mas ser uma mulher preta e de favela te coloca em posições onde você precisa estar preparada pra qualquer situação, muitas vezes, sendo vista como errada. De onde eu vim, a expressão ‘maldita’ sempre foi usada como forma de ofender qualquer mulher que peitasse um homem. E enquanto mulher preta, dentro dos relacionamentos, muitas vezes nós precisamos bater no peito e colocar as nossas dores em primeiro lugar, e isso deixa muito homem com raiva”, afirma MC Luanna sobre o projeto.

Nascida em Ubaitaba, na Bahia, a MC, assim como muitos jovens nordestinos, viu sua mãe se mudar para São Paulo com a esperança de dias melhores. Movida pelos mesmos objetivos, se aventurou em solos paulistas utilizando da arte, da poesia e do trabalho duro para trilhar seus sonhos em meio a periferia.

Desde o lançamento de Kit Rosa (2020), seu primeiro single, a artista vem mostrando sua autenticidade e ganhado espaço junto a nomes igualmente talentosos do trap e rap nacional, como as parcerias com Danzo em Iphone 12 (2021) e Ajuliacosta em Set AJC (2021). Incentivando o empoderamento feminino periférico, MC Luanna mantém como base de suas composições a garra e a segurança da mulher preta, servindo de inspiração para a nova geração.

Maldita, expressão que dá nome ao disco, é um termo utilizado pelos moradores de sua comunidade para se referir às mulheres que enfrentam os homens de igual para igual, e reflete o processo de autoconhecimento e amadurecimento da artista enquanto mulher preta e de favela, com as faixas “Seu Particular”, “Foi só eu te deixar”, “Quem jura mente” e “Última vez”. Com inspirações populares que vão dos bailes funks ao rap, a tracklist do EP carrega em cada música o espírito debochado, independente e confiante das mulheres da periferia, característica que destaca a MC na cena cultural.

MC Luanna também se apresentou no Cena Festival 2022, festival que celebra os principais nomes da arte e da cultura do hip-hop, subindo no mesmo palco que gigantes da música nacional como Racionais MCs, Clara Lima, MD Chefe e Tasha e Tracie, com quem a artista tem um projeto especial em desenvolvimento.


 











Ver essa foto no Instagram























 

Uma publicação compartilhada por luanna do 44 🇧🇷 (@mcluanna_)