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Carol Maia transforma fita analógica em linguagem no EP “Urutu Fitas”

Por Da Redação
Carol Maia transforma fita analógica em linguagem no EP “Urutu Fitas”
Carol Maia transforma fita analógica em linguagem no EP “Urutu Fitas” (Foto: Divulgação)

Em um momento em que a produção musical se apoia cada vez mais na precisão digital, Carol Maia opta por tensionar esse padrão. A artista lançou o EP “Urutu Fitas” no último dia 9 de abril, via Algohits, construído a partir de um processo integralmente analógico, sem uso de telas ou correções posteriores.

Gravado no Estúdio Urutu, o trabalho propõe uma experiência que privilegia a execução real. Cada faixa nasce da limitação técnica da fita magnética — um suporte que não permite edição, exigindo interpretação precisa e entrega emocional direta. Nesse contexto, o erro deixa de ser falha e passa a integrar a estética.

A faixa “Vermelha Rosa” sintetiza esse movimento. Composta ao piano e expandida para um arranjo de rock psicodélico, a música utiliza imagens simbólicas e elementos da cultura brasileira para narrar o fim de uma relação sob a ótica de transformação. A sonoridade densa e atmosférica dialoga com referências como Gilberto Gil e Jards Macalé, sem se prender a um exercício de nostalgia.

Nos bastidores, o projeto conta com produção executiva de Vicente Barroso e direção técnica de Otavio Cintra. O instrumental, conduzido pelo baixo de José Miguel Brasil e pela bateria de Thomás Medeiros, reforça a proposta ao criar uma ambiência que transita entre o jazz noturno e a psicodelia tropical.

Além das plataformas de streaming, “Urutu Fitas” também ganhou desdobramento audiovisual em uma live session no YouTube, registrada em tempo real. A proposta mantém o princípio central do projeto: capturar a música como acontecimento, sem interferência posterior.


Ao conectar esse processo à distribuição digital via Algohits, Carol Maia posiciona o EP como um trabalho que não apenas apresenta novas faixas, mas questiona os próprios métodos de produção contemporâneos.

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