
Durante décadas, a masculinidade foi sustentada por regras não ditas — e justamente por isso, tão rígidas. O que um homem deve sentir, desejar, assumir ou esconder nunca esteve escrito, mas sempre foi cobrado. Hoje, parte desse modelo começa a ruir, mas não sem resistência. Há quem tente redesenhar essa identidade de forma mais honesta e menos engessada. E, inevitavelmente, isso incomoda.
Arthur O Urso, 36 anos, é um desses homens. Conhecido por manter relacionamentos poliafetivos — e por desafiar ideias convencionais sobre casamento, fidelidade e afeto —, ele acaba de romper mais uma barreira ao se declarar heteroflexível. “Sou um homem que se permite viver sem medo. Me recuso a ser reduzido a rótulos”, escreveu em suas redes sociais, com a mesma naturalidade com que já falou sobre dividir o teto com várias mulheres.
Heteroflexível é o termo usado por homens que se identificam majoritariamente com a heterossexualidade, mas não enxergam o desejo como algo fixo, definitivo ou binário. A palavra ainda provoca estranhamento — não apenas por ser pouco comum, mas porque ameaça um ideal cultural de masculinidade que ainda associa sexualidade à virilidade e controle.
A revelação teve efeito imediato em sua vida pessoal. Uma de suas esposas pediu o divórcio. “Ela disse que não conseguia mais me ver da mesma forma. Foi doloroso, mas também foi um sinal. Um sinal de que essa conversa ainda assusta. Ser livre ainda assusta”, contou ele.




