Vírgula

Álbum

Billie Holiday

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Com sua indefectível gardênia branca no cabelo, a Lady Day estabeleceu o paradigma da diva do jazz, negra, sofrida e consciente.

Com sua indefectível gardênia branca no cabelo, a Lady Day estabeleceu o paradigma da diva do jazz, negra, sofrida e consciente.

Foto: Getty Images

Com sua indefectível gardênia branca no cabelo, a Lady Day estabeleceu o paradigma da diva do jazz, negra, sofrida e consciente.
Billie cantava o que vivia, nada nela era falso. É possível percebê-la por inteiro em músicas como God Bless the Child, Gloomy Sunday, 
Trav'lin' Light, Lover Man, Summertime, I´ll be Seeing you, Crazy Calls Me, Body and Soul.
A grande dama do jazz sofreu abusos de homens desde a infância até a morte. Por isso, seus melhores amigos eram os cachorros.
Sua interpretação de Strange Fruit, música que denunciava o linchamento de negros, prática comum no Sul dos Estados Unidos rascista, abriu caminho para o engajamento de artistas em causas políticas e pela luta pelos direitos civis.
Talvez se a senhora Holiday não tivesse exposto a ferida do racismo, Barack Obama não seria eleito presidente, décadas depois.
Certo mesmo é que sem ela o jazz não seria o jazz, gênero que influenciou toda a cultura pop e segue influenciando.
Billie  é a mãe de todas as cantoras, de Nina Simone a Róisín Murphy, Bjork, Céu, Adele e Lady Gaga.
Uma de suas seguidoras, Cassandra Wilson está lançando um disco em homenagem  ao centenário da diva. Coming Forth By Day traz 11 músicas imortalizadas por ela e uma nova, a Last Song (For Lester).
O estilo dela, segundo a própria Lady Day contava  veio de uma tentativa de imitar Louis Armstrong e Bessie Smith. Hoje, é ela quem é imitada, mas seu vibrato e a voz levemente rouca são tão caraterísticos que ninguém nunca chegou perto.